Primeiro-ministro confirmou no Parlamento que os portugueses vão pagar um imposto
extraordinário, que corresponde a 50% do subsídio de Natal, acima do salário mínimo
nacional. A contribuição será aplicada só este ano.
Na sua primeira intervenção no Parlamento, Passos Coelho anunciou que vai ser adoptada,
“com carácter extraordinário”, a aplicação de uma contribuição especial sobre todos
os rendimentos no IRS das famílias portuguesas.
O primeiro-ministro anunciou assim a “adopção, de carácter extraordinário, de uma
contribuição especial que incidirá sobre todos os rendimentos que estão englobados
no IRS, abrangendo todos os tipos de rendimentos”.
Passos revelou que o detalhe técnico desta medida será apresentado nas próximas
duas semanas, mas ainda assim revelou que o valor desta contribuição extraordinária
será “equivalente a 50% do subsídio de Natal, acima do salário mínimo nacional”.
Desta forma, só os portugueses que ganham o salário mínimo vão escapar a este
imposto. Para os restantes, metade do subsídio de Natal que excede o salário mínimo
vai para os cofres do Estado através deste imposto extraordinário.
Esclareceu ainda que esta contribuição extraordinária será aplicada “apenas em 2011”
e é justificado pelo facto de “o Estado das contas públicas” obrigar a “pedir mais
sacrifícios aos portugueses”. “Não nos deixa alternativas”, assegurou Passos Coelho,
garantindo que “não permitirei que os sacrifícios sejam distribuídos de forma injusta
e desigual”.
Antes de anunciar a introdução da contribuição extraordinária, Passos Coelho revelou
que “hoje chegou o momento para atacar” os problemas e temos que ter “capacidade
de antecipação”, recordando os dados ontem revelados pelo INE, que mostram que o
défice do primeiro trimestre atingiu 7,7% do PIB.
Temos de “poupar o país a um desastre” e tal só será possível com a “antecipação
e prevenção para inverter o ciclo e restaurar a confiança na economia”.
Programa de privatizações no terceiro trimestre
Além do anúncio deste imposto extraordinário, noticiado ontem pelo Negócios, Passos
Coelho revelou que “anteciparemos já para o terceiro trimestre medidas estruturais
previstas no programa de ajustamento para concorrência” e “abriremos a nossa economia
a estímulos do interior”.
O primeiro-ministro destacou a “reestruturação do sector empresarial do Estado,
a reforma do modelo regulatório e o programa de privatizações”.
Passos Coelho prometeu ainda um “controlo rigoroso das contas”, através da adopção
de um “processo rigoroso de monitorização”, que “implicará o esforço de todo o governo,
e não só do ministro das Finanças, para corrigir desvios sob metas globais e ministeriais”.
“Não haverá redução consistente da despesa sem uma abordagem sistémica e responsabilizadora.
Não deixo as notícias desagradáveis para outros nem os disfarçarei com linguagem.
Não permitirei que estes sacrifícios sejam distribuídos de forma injusta e desigual”,
reforçou.
“Chegou o momento de pensar a reforma do sistema educativo” evitando que se volte
a repetir os erros do passado, disse Passos Coelho, revelando que “com este programa
o Governo reafirma o propósito de contribuir para que a economia desenvolva um sistema
financeiro sólido” Passos Coelho revelou que o Governo tem o "firme propósito de
reformar a arquitectura e os procedimentos da justiça"
“Com vista a corrigi-los o Governo propõe a gestão em função de objectivos. Avaliando
com regularidade o seu grau de execução” e a criação de “bolsa de juízes para uma
acção rápida para atrasos crónicos”.
(notícia actualizada às 16h20 com mais informação)